Olá, pessoal!

Compartilho com vocês meu relato da experiência de hoje no hospital.
Só posso dizer que esse dia foi um presente!

Abraços fratenos em todos

Elaine Cunha

Desde que eu comecei a contar histórias no hospital cada dia tem sido uma dádiva do Pai para mim. Eu conto histórias, eu escuto histórias, eu brinco, me divirto, mas às vezes eu choro também, como hoje...

Hoje tive a alegria de sentir que (mais uma vez) nós podemos sempre fazer a diferença para alguém.. É entrar num quarto e vê uma criança de 8 anos que tinha acabado de colocar o acesso no pescoço... dolorido... durinho.. imóvel na cama.. sorrindo quando duas contadoras desafinadas não sabem nem cantar igual ao bem-te-vi. É tentar assobiar (- não consigo mais assobiar como antes!) e pela tentativa frustada, perceber que ele assobia para nos alegrar. (Observa quem está alegrando quem!)

Mas hoje tive também uma angustia no meu peito. Pela segunda vez, eu vivi um momento que me tocou profundamente. Nas últimas visitas, sempre encontrava uma mocinha com seus 12 anos, no mais alto andar, naquele onde ficam as crianças com câncer. Lá estava ela, sentada na sua cama, com suas flores de pelúcia ao seu redor, com seus olhos pretos e grandes ainda mais brilhantes, numa alegria que é sua característica mais marcante.

Mas porque hoje, especificamente hoje, fiquei angustiada ao entrar no quarto?

A linda mocinha estava sem seus cabelos! Confesso, fiquei supresa. Acredito que pelo fato de eu ter visto a linda mocinha ainda com seus lindos cabelos pretos.. na altura do ombro.. levemente cacheados... Passou tanta coisa em minha mente.. assim.. como um flash... Não sei porque.. eu fiquei ali olhando aquela mocinha rindo, feliz, aproveitando o quarto repleto de contadoras de histórias.
Putz... sei que cabelo é capim, que cresce novamente. Mas... Não sei explicar!

A única coisa que hoje eu conseguir fazer com esta mocinha foi conversar e cantar. Hoje quem me acalentou foi ela. E acredito que ela não se deu conta disto! Que força! Que energia boa! Cantamos uma música que ela curtiu muito, brincando com seu jardim de flores de pelúcia... 

"Borboletinha tá na cozinha
Fazendo chocolate para a madrinha
Poti, poti
Perna de pau
Olho de vidro
E nariz de pica-pau (pau, pau)"

Esta aqui: http://www.youtube.com/watch?v=28iW_O5qWfU

Sai do quarto leve, feliz pela felicidade dela. Agradeci a Deus pelo ensinamento de hoje. Como é bom ter as pessoas que amamos por perto. Porque o que nos cura é amor. Amor de familia, amigos e até de desconhecidos, como ela, como eu. Não importa. É a verdade na frase de Madre Tereza quando ela disse: "A todos os que sofrem e estão sós, dai sempre um sorriso de alegria. Não lhes proporciones apenas os vossos cuidados, mas também o vosso coração."

Cheguei em casa com vontade de sair abraçando todo mundo. Abracei marido. Abracei meus filhotes. Mas desejei abraçar os amigos. Abraçar meus pais. Abraço aquele de urso mesmo, sabe? Segura e não larga!

Então para você, meu melhor abraço de urso!

Ah, na próxima visita teremos mais músicas com a linda mocinha. Afinal, temos um desafio. Cantar a música do "Sapo não lava o pé" com a vogal A sem errar! Vou treinar para não fazer feio!

Elaine Cunha
HIDV - Hospital Infantil Darcy Vargas
São Paulo- SP



Escrito por Viva Voz às 10h37
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